Na manhã de sábado 24 de Outubro, cerca de 200 pessoas, provenientes das 32 paróquias da Vigararia de Felgueiras, agentes da pastoral paroquial, participaram na formação dedicada ao Sínodo Diocesano, sob o tema “Sintonizar o Sínodo” – Encontro de (In)formação sinodal. O encontro decorreu na Igreja de Nossa Senhora de Fátima e na Cripta em Lagares, Felgueiras, tendo sido presidida pelo Bispo Auxiliar do Porto, D. Joaquim Dionísio.
Após as palavras iniciais de acolhimento e boas-vindas, por parte do Pe.Filipe Ferreira, Vigário de Felgueiras, na presença do Pe.André Ferreira (Vice-Vigário e Assessor da Liturgia), foi dada a palavra ao Bispo Auxiliar do Porto, D.Joaquim Dionísio, que após breves palavras de apresentação, começou por explicar aos presentes, o propósito do Sínodo Diocesano, quais os objetivos a atingir. De seguida, aflorou de forma sucinta, o cronograma do calendário sinodal, ressalvando que até ao final do presente ano, decorrerá este período de formação e de preparação das equipas / grupos sinodais, para que se iniciem a partir de Janeiro, os encontros dos grupos sinodais, em cada paróquia.
Numa linguagem simples, afável e acessível, D.Joaquim Dionísio ressalvou a importância de cada comunidade trabalhar à volta do lema “a Igreja somos nós”, pois este Sínodo visa despertar nos participantes a vontade de se envolverem ativamente, neste processo de renovação, criando condições para uma participação alargada na vida e na missão da Igreja.
Foi apresentada a necessidade de evolução e mudança na Igreja, pois o mundo também tem muda, dia após dia, tendo presente que a missão da Igreja é a mesma: seguir Jesus Cristo, evangelizar e dá-Lo a conhecer, pois a Igreja existe, para o anúncio o reino de Deus, acolhendo e chamando aqueles que não O conhecem, para formar discípulos e missionários, ao serviço da comunidade.
Para que a missão se realize, há a necessidade de um processo de mudança, do individualismo na vivência paroquial e das orientações e do caminho comunitário, exclusivamente nos párocos, para uma Igreja mais sinodal, chamada a caminhar em comunhão. Assim sendo, todos devem ter voz ativa, num processo de escuta, em que se acolha a diversidade, mesmo com opiniões discordantes, para que, após uma reflexão conjunta e fraterna, se defina o caminho a seguir juntos, reconhecendo assim a ação do Espírito Santo na vida das comunidades.
Todos são chamados a participar, todos têm a mesma dignidade e responsabilidade, todos falam, todos escutam, todos refletem, conta a opinião de todos, muda a forma das paróquias de organizarem, um caminho iniciado anteriormente com a criação dos conselhos paroquiais de pastoral, que se pretende agora alargar a outras pessoas.
Um dos momentos centrais da manhã foi o trabalho em pequenos grupos. Os participantes foram distribuídos por 20 grupos, que utilizaram a metodologia da Conversação no Espírito, com exercício de escuta verdadeira, no qual cada pessoa pudesse partilhar a sua experiência e contribuir para o discernimento comunitário. Esta experiência, que motivou e animou bastante os participantes, constituiu também uma primeira aproximação prática à metodologia que estará presente no percurso sinodal.
Na partilha final por parte dos grupos, a necessidade de formação nas várias áreas dos grupos paroquiais (catequese, liturgia, caridade, cuidado), foi mencionada várias vezes, como caminho, para realizar um melhor serviço de evangelização e serviço à comunidade.
Foi também apresentada, a necessidade de uma maior colaboração, interação e partilha entre os grupos paroquiais, que os mesmos não sejam rivais ou concorrentes, mas que todos sirvam com alegria e caminhem juntos – a inter-paroquialidade, também se afigurou, como uma forma de dar nova força, ao cumprimento da missão das comunidades.
O acolhimento dos migrantes, dos não-crentes, dos pais jovens nas comunidades e grupos paroquiais, foi unanimemente mencionado, como o “alicerce” para este movimento de renovação da vida da Igreja, assim como também, a integração dos jovens na comunidade e o seu papel ativo na mesma, evitando o êxodo que acontece quando celebram o Crisma e prosseguem estudos na universidade.
Foi também apresentada, a necessidade de, com a escuta ativa de todos, renovar a face da Igreja e dar ânimo renovado, a quem já viveu largos anos da sua vida e se foi acomodando apenas à vivência paroquial das celebrações, relembrando que a alegria de sermos filhos amados de Deus, deve perdurar nos corações de cada um e ser sinal de esperança, face à fragilidade, à doença e ao envelhecimento.
Agradecendo a presença de todos e a riqueza dos contributos de cada grupo de trabalho, D.Joaquim Dionísio concluiu, dizendo que o resultado deste Sínodo, será o mais propriamente o processo, aquilo que as comunidades mudarão neste período e que a sinodalidade perdure no futuro, que aconteça uma verdadeira conversão das relações e das atitudes. Passar do «eu» ao «nós», aprender a escutar sem julgar, respeitar as diferenças e transformar as palavras em gestos concretos de serviço foram alguns dos desafios identificados.
Após a oração final, D.Joaquim Dionísio agradeceu aos presentes, pela sua disponibilidade para este encontro de formação, assim como a organização por parte da Vigararia da Felgueiras e o acolhimento fraterno pela Paróquia de Lagares, sendo a primeira visita a esta comunidade, prometeu voltar e estar disponível para servir, sempre que possível.
texto e fotos de Paulo Vieira
