Fase preparatória do Sínodo Diocesano com o tema “Ser Porto: formar, reformar, transformar” percorre toda a diocese até ao mês de dezembro.

Cerca de 160 pessoas, provenientes das duas vigararias que englobam as paróquias da cidade do Porto, participaram este sábado, 17 de outubro, numa manhã de formação dedicada ao Sínodo Diocesano, sob o tema “Sintonizar o Sínodo” – Encontro de (in)formação sinodal. O encontro decorreu na igreja e na cripta da paróquia de São Martinho de Cedofeita, no Porto, e foi presidido pelo bispo do Porto, D. Manuel Linda.

Esta primeira formação teve como objetivo sensibilizar e motivar as comunidades paroquiais para o caminho sinodal que a Diocese do Porto se prepara para aprofundar a partir de janeiro, com a constituição das equipas sinodais. Mais do que transmitir conhecimentos, o encontro procurou despertar nos participantes a vontade de se envolverem ativamente neste processo, criando condições para uma participação alargada na vida e na missão da Igreja.

A catequese sinodal foi orientada pelo Cónego Joaquim dos Santos, pároco do Santíssimo Sacramento, que ajudou os participantes a refletir sobre o significado de ser uma Igreja sinodal, chamada a caminhar em comunhão, a acolher a diversidade e a reconhecer a ação do Espírito Santo na vida das comunidades.

Um dos momentos centrais da manhã foi o trabalho em pequenos grupos. Os participantes foram distribuídos por 15 grupos, que utilizaram a metodologia da Conversação no Espírito, procurando criar um espaço de escuta verdadeira, no qual cada pessoa pudesse partilhar a sua experiência e contribuir para o discernimento comunitário. Esta experiência constituiu também uma primeira aproximação prática à metodologia que estará presente no percurso sinodal.

Na partilha final, o acolhimento surgiu como uma das preocupações mais presentes. Os participantes sublinharam a importância de construir comunidades mais próximas e abertas, capazes de acolher quem chega, escutar os jovens, valorizar os diferentes percursos de vida e ir ao encontro daqueles que vivem mais afastados da Igreja ou em situações de maior fragilidade. Mais do que manter as portas abertas, foi destacada a necessidade de sair ao encontro das pessoas.

A reflexão evidenciou também a importância de reforçar a comunhão entre os diferentes grupos paroquiais, promover a formação dos leigos, renovar os caminhos da catequese e valorizar os conselhos pastorais como espaços de participação e corresponsabilidade. Foi ainda manifestado o desejo de dar continuidade a estes encontros, criando oportunidades regulares de oração, diálogo e partilha entre as paróquias das duas vigararias.

Ao longo da manhã, tornou-se particularmente presente a convicção de que a sinodalidade não se esgota num método de trabalho, mas exige uma verdadeira conversão das relações e das atitudes. Passar do «eu» ao «nós», aprender a escutar sem julgar, respeitar as diferenças e transformar as palavras em gestos concretos de serviço foram alguns dos desafios identificados.

A organização logística do encontro esteve a cargo dos leigos das paróquias da cidade, num testemunho concreto da corresponsabilidade de todos na vida da Igreja. A manhã contou também com a participação do Coro da Areosa, que interpretou o hino do Sínodo, contribuindo para o ambiente de comunhão e celebração vivido pelos participantes.

A formação constituiu, assim, um primeiro momento de inspiração e preparação para o processo sinodal que terá início em janeiro, com a constituição das equipas sinodais nas comunidades. O desafio agora é levar às 26 paróquias da cidade do Porto o entusiasmo e a experiência de escuta e discernimento vividos neste encontro, incentivando uma participação cada vez mais alargada.

O Sínodo Diocesano apresenta-se, deste modo, não como mais uma atividade na vida da Igreja, mas como um caminho de comunhão, corresponsabilidade e missão, no qual todos são chamados a participar e a caminhar juntos, sob a ação do Espírito Santo. Este encontro vicarial insere-se no calendário de encontros de formação em todas as vigararias da Diocese, que decorre até ao final do ano.

texto de Artur Veloso Vieira e Liliana Correia – foto de Maria João

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