Vigararia de Lousada fez a experiência de “Sintonizar o Sínodo”

No passado dia 17 de outubro, o Centro Social e Paroquial de Sousela recebeu cerca de uma centena de pessoas, vindas dos diferentes grupos paroquiais da Vigararia de Lousada, para mais um encontro dedicado à temática «Sintonizar o Sínodo».

Foi uma manhã diferente, marcada pela partilha, pela reflexão e, sobretudo, pela alegria de estarmos juntos. Pessoas de diferentes idades, com experiências e percursos distintos, mas com algo em comum: a vontade de contribuir para uma Igreja mais próxima, mais aberta e onde todos se sintam parte dela.

O encontro teve início pelas 9h30 e foi dividido em dois momentos. O primeiro começou com umas breves palavras do Padre André Soares, seguindo-se o canto do Hino do Sínodo Diocesano e um momento de oração. Foi uma forma simples, mas significativa, de começarmos esta caminhada, colocando nas mãos de Deus as nossas comunidades e pedindo a orientação do Espírito Santo.

Nesta manhã, contamos também com a presença do Padre António Teixeira, Padre Paulo Godinho, Padre José Abrantes e Padre Isaías Higuera.

De seguida, tivemos o prazer de ouvir o Padre Sérgio Leal, sacerdote da Diocese do Porto, professor universitário e especialista em sinodalidade, que nos ajudou a compreender melhor o que é o Sínodo, o caminho que tem vindo a ser feito e aquilo que ainda podemos construir juntos.

A sua intervenção foi um momento de aprendizagem e partilha, vivido de forma muito agradável. Com uma linguagem próxima e acessível, levou-nos a refletir sobre algo que, no fundo, parece tão simples, mas que nem sempre é fácil colocar em prática: saber escutar o outro, respeitar as diferenças e perceber que a Igreja precisa de todos nós.

Na segunda parte da manhã, chegou o momento de sermos nós a participar mais ativamente. Divididos em grupos, trabalhámos o tema «Catequese Sinodal Vicarial: Uma visão de conjunto», onde fomos convidados a refletir sobre o discernimento pessoal e comunitário e a viver a experiência da Conversação no Espírito Santo.

E foi precisamente neste momento que se sentiu, de forma muito especial, o verdadeiro significado de caminhar juntos.

À volta da mesma mesa, juntaram-se pessoas de diferentes gerações, com vivências, ideias e formas de olhar para a Igreja que nem sempre são iguais. Mas é nessa diversidade que está uma das maiores riquezas destes encontros. Cada pessoa teve a oportunidade de falar, de partilhar aquilo que sente e pensa, mas também de escutar o que os outros tinham para dizer.

Porque escutar não é apenas ficar em silêncio enquanto alguém fala. É dar importância àquilo que o outro nos quer transmitir, mesmo quando pensa de maneira diferente de nós. É perceber que também podemos aprender com as experiências e opiniões dos outros.

É sem dúvida alguma importante proporcionar estes momentos nas nossas comunidades. Encontros em que os mais novos e os mais velhos se sentam lado a lado, em que a experiência de uns se cruza com as ideias e o entusiasmo de outros. Momentos em que ninguém é mais importante do que ninguém e em que todos têm algo a acrescentar.

Afinal, é esta a Igreja que queremos construir: uma Igreja onde haja lugar para «todos, todos, todos», como tantas vezes nos recordou o Papa Francisco. Uma Igreja que saiba acolher, que tenha tempo para ouvir e que não deixe ninguém de fora.

Este encontro ajudou-nos também a tomar consciência de que cada um de nós tem um papel importante nesta caminhada. Por vezes, podemos pensar que a nossa opinião pouco conta ou que são os outros que têm a responsabilidade de fazer acontecer. Mas a verdade é que todos podemos dar o nosso contributo, por mais pequeno que nos possa parecer.

Ser uma Igreja sinodal começa precisamente aí, nos gestos mais simples do nosso dia a dia: na forma como acolhemos alguém que chega à nossa comunidade, na disponibilidade para ajudar, na atenção que damos a quem precisa de ser ouvido e na capacidade de trabalharmos em conjunto, mesmo quando temos opiniões diferentes.

Terminámos esta manhã com a certeza de que ainda temos muito caminho pela frente, mas também com a consciência de que vale a pena percorrê-lo juntos.

Mais do que uma manhã de formação, foi uma oportunidade para nos conhecermos melhor, trocarmos experiências e percebermos que, apesar das diferenças, partilhamos a mesma fé e o mesmo desejo de fazer das nossas paróquias comunidades cada vez mais vivas e acolhedoras.

Que tudo aquilo que ouvimos, partilhámos e sentimos nesta manhã não fique apenas naquela sala, mas que nos acompanhe no regresso às nossas comunidades. Que saibamos escutar mais, julgar menos, acolher melhor e dar espaço a todos.

Porque, no fundo, caminhar em Igreja é isso mesmo: ninguém faz o caminho sozinho, todos temos algo para dar e todos precisamos uns dos outros.

texto e foto Márcia Coelho

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *