Na manhã do dia 10 de outubro, mais de 150 pessoas, oriundas das 25 paróquias da Vigararia de Paredes, reuniram-se no Auditório D. Vitorino Soares em Castelões de Cepeda para o encontro “Sintonizar o Sínodo – Encontro de (in) formação sinodal”. Orientou este encontro o Sr. Pe. António José Rodrigues Bacelar, membro da Comissão Teológico-Pastoral para o Sínodo Diocesano.
O encontro teve início com umas palavras de acolhimento do Sr. Pe. Pedro Silva, Vigário da Vigararia de Paredes que apresentou o Sr. Pe. Bacelar e agradeceu a disponibilidade para estar com a Vigararia de Paredes para, de certa forma, iniciar os trabalhos do sínodo na Vigaria com este primeiro encontro de formação.
Depois de um breve momento de oração, o Sr. Pe. António Bacelar tomou a palavra para apresentar os principais pressupostos teológico-pastorais que iluminarão e conduzirão os trabalhos do sínodo na nossa Diocese do Porto. Partindo da ideia de que o mistério do Pai, do Filho e do Espírito Santo é a fonte da comunhão eclesial e que a comunhão é a forma própria da existência cristã, afirmou-se que a Igreja terá sempre que ser como um sacramento: sinal e instrumento da comunhão de Deus com a humanidade. Esta Igreja-Sacramento não vive em si mesma o termo do caminho, mas tem que ser capaz de se abrir ao Reino, para ser, semente, porque O anuncia, serve e antecipa.
Quanto mais a Igreja, como Igreja peregrina, caminha para o Reino, mais vive a sua natureza própria de ser missionária. A Sinodalidade não é uma necessidade organizativa, mas exprime assim o modo de caminhar de um povo peregrino, que ainda não chegou, mas que acredita que o Espírito o conduz e inspira. Assim, a Igreja tem que fazer um caminho onde a eclesiologia de comunhão se torna presente na vivência da fraternidade, da unidade e da comunhão, rumo a uma verdadeira conversão pastoral.
A missão da Igreja é de todos os cristãos, enxertados em Cristo pelo Batismo e por isso, todos são chamados a partilhar o peso do discernimento, o risco da decisão e o futuro da comunidade, nas estruturas próprias que existem, para que tudo isto possa acontecer. O discernimento eclesial é fundamental em todo este processo e não pode ser uma estratégia ou técnica de otimização pastoral, mas uma escuta da voz de Deus, que se revela no coração de cada um, na tradição da Igreja, no grito dos povos e dos mais frágeis e da Palavra revelada em cada tempo e lugar.
No final desta primeira parte, foi apresentado o “Método da Conversação no Espírito” que não se pretende que seja uma estratégia, uma tática, mas uma forma de ser Igreja, um caminho que nos faz experimentar já a meta, pois o modo como caminhamos já anuncia aquilo que queremos ser.
Após um breve intervalo, foram apresentados os diversos passos do método da Conversação no Espírito, convidando-se os presentes a dividirem-se em grupos de oito, para um primeiro trabalho de aplicação do método, que se pretende que seja uma expressão concreta da natureza da Igreja. Terminado o tempo para os trabalhos de grupo, que procuraram refletir sobre o contributo de cada um para a construção de uma Igreja sinodal missionária e sobre os novos caminhos de sinodalidade, realizou-se um plenário, onde alguns grupos tiveram oportunidade de partilharem as suas conclusões. O contributo de todos os grupos foi testemunho de uma Igreja que quer ser sinodal, na escuta recíproca, onde cada um tem algo a aprender.
texto e foto de André Coelho
