“Sintonizar o Sínodo” é o lema da fase de formação do Sínodo Diocesano do Porto
O Centro Pastoral da Paróquia de Nossa Senhora da Assunção de Sobrado, em Castelo de Paiva, acolheu, no dia 17 de outubro, entre as 9h30 e as 13h00, o 1.º Encontro de (In)Formação Sinodal da Vigararia de Castelo de Paiva-Penafiel “Sintonizar o Sínodo”. Estiveram reunidas cerca de 50 pessoas, representantes dos Conselhos Pastorais de nove paróquias da Vigararia, num momento de reflexão, partilha e formação em torno do caminho sinodal da Igreja.
O encontro foi presidido por D. Roberto Mariz, que, com o seu entusiasmo contagiante e uma abordagem apaixonada, introduziu os participantes à temática do Sínodo Diocesano, lançando desafios e pistas de reflexão sobre a vida e a missão da Igreja no mundo contemporâneo.
Sob o lema “Ser Porto, formar, reformar e transformar”, a sinodalidade apresenta-se como um caminho que começa na escuta aberta e atenta dos diferentes grupos paroquiais, procurando que todos os batizados se reconheçam como colaboradores e corresponsáveis na vida das comunidades. Mais do que serem chamados a executar tarefas, todos são convidados a assumir, participar e discernir, em conjunto, as decisões e as mudanças necessárias para responder aos desafios pastorais de hoje.
Na sua apresentação, D. Roberto Mariz destacou Deus como fundamento da comunhão, sublinhando que Ele próprio «congrega sem uniformizar e une sem apagar a diferença». Uma expressão que sintetiza a riqueza de uma Igreja que encontra na diversidade dos seus membros uma oportunidade de crescimento, reconhecendo os diferentes talentos, carismas e competências individuais e colocando-os ao serviço de todos.
Este caminho exige comunidades capazes de partilhar responsabilidades, promover a participação e construir uma sinodalidade verdadeiramente construtiva, tendo sempre o Evangelho como pilar fundamental e procurando a capacidade de se ajustar aos sinais dos tempos, sem perder a essência da sua missão.
A sinodalidade não se esgota nas paredes da igreja nem nas tarefas da paróquia. A missão dos cristãos é também transformar o mundo, levando para as suas casas, famílias, locais de trabalho, escolas, espaços políticos e culturais os valores, a esperança e o amor que Deus lhes colocou no coração. É no quotidiano, através das palavras, das escolhas e das atitudes, que cada batizado pode testemunhar Cristo e contribuir para uma sociedade mais humana, justa e fraterna.
Todos são, assim, convidados a ser fermento no meio da massa: um fermento discreto, mas capaz de fazer crescer o pão que alimenta e sacia a fome de Deus, de sentido e de esperança que tantas pessoas transportam no coração.
O encontro constituiu, por isso, um primeiro passo importante no compromisso de construir uma Igreja mais viva em Cristo, onde a comunhão não anula a diferença, a participação se traduz em corresponsabilidade e a escuta dá lugar ao discernimento e à ação.
Porque ser Igreja sinodal é caminhar juntos, acolher cada voz, valorizar cada dom e colocar todos os talentos ao serviço de uma missão comum: formar para reformar, reformar para transformar e transformar o mundo a partir do Evangelho, para que Cristo continue a tocar os corações através de cada um de nós.
Após a apresentação de D. Roberto Mariz, os participantes foram convidados a dividir-se em pequenos grupos de cerca de oito pessoas, para uma dinâmica de discernimento em Igreja Sinodal.
O exercício teve início com um momento de preparação pessoal, através da oração, criando espaço para o silêncio interior e para a abertura à ação do Espírito Santo. Seguiram-se várias rondas de partilha, nas quais cada participante foi convidado a expressar a sua opinião e a refletir sobre os novos caminhos de sinodalidade que começam a surgir nas suas comunidades.
Num ambiente de escuta, diálogo e respeito pela diversidade de perspetivas, os participantes procuraram não apenas partilhar as suas próprias ideias, mas também acolher e compreender as experiências e reflexões dos outros. Foi a partir desta escuta recíproca que cada grupo construiu, em conjunto, propostas concretas, posteriormente apresentadas em plenário, sob a orientação do Padre Paulo Rocha.
Esta dinâmica permitiu experimentar, na prática, que a sinodalidade não se limita a um conceito ou a uma orientação pastoral: é, acima de tudo, uma forma de ser e de viver Igreja, onde cada voz conta, cada contributo enriquece e o discernimento coletivo ajuda a encontrar caminhos comuns, sempre iluminados pelo Evangelho.
Foi uma manhã de verdadeiro caminho sinodal, marcada pela partilha, pela fraternidade e pela procura conjunta da vontade de Deus. Uma manhã em que sentimos o Espírito Santo a inspirar os nossos passos, a iluminar as nossas reflexões e a fortalecer a esperança necessária para abraçar os desafios desta caminhada.
Regressamos às nossas comunidades com a consciência de que este caminho exige disponibilidade para escutar, humildade para acolher diferentes perspetivas e coragem para transformar ideias em gestos concretos. Porque uma Igreja sinodal constrói-se com todos e para todos, na certeza de que é o Espírito Santo quem nos reúne, nos inspira e nos envia em missão.
Que o Espírito Santo continue a iluminar este caminho, para que, juntos, possamos ser uma Igreja de comunhão na diversidade, viva em Cristo e capaz de transformar o mundo através do testemunho do Evangelho.
texto e foto Ilídia Magalhães
