Por D. Joaquim Dionísio
No âmbito do itinerário sinodal que a nossa diocese está a percorrer – e num momento de particular valorização da presença e ação dos Conselhos Paroquiais de Pastoral -, talvez seja oportuno divulgar e apelar à leitura de um discurso do Papa Leão XIV proferido na assembleia diocesana de Roma, no dia 18 de setembro, na abertura do novo ano pastoral.
Nas palavras que dirigiu aos seus diocesanos, o Bispo de Roma não deixou de falar da proximidade e da escuta, desafiando as estruturas paroquiais a servirem uma Igreja “em saída” e a ousarem iniciativas proféticas de evangelização e de caridade. Nesse sentido, propôs a prática da “verificação pastoral”, ou seja, o ato de “parar, reler o que aconteceu, reconhecer o que deu frutos, compreender o que não funcionou e buscar juntos as razões”.
Mais do que um ato administrativo
O documento final do último Sínodo já havia evidenciado a necessidade de “estruturas e formas de avaliação”, afirmando que tal avaliação “não constitui um julgamento sobre as pessoas, antes permite evidenciar os aspetos positivos e as áreas que podem ser melhoradas”. E se tal prática “ajuda a Igreja a aprender com a experiência”, também lhe permite “recalibrar os planos de ação e a permanecer atenta à voz do Espírito Santo” (n.100).
Mais do que uma prática administrativa ou mais um encargo a somar a tantos outros, a verificação pastoral consistirá em avaliar, de maneira partilhada e sob a ação do Espírito Santo, o conjunto das iniciativas, das estruturas e das atividades das comunidades cristãs. Um processo de discernimento que convida a reconhecer abertamente o que deve ser mantido, valorizado, corrigido, abandonado ou proposto e que obriga a colocar uma questão fundamental: estas atividades ajudam realmente a conduzir a Cristo e levam o Evangelho à vida concreta das pessoas?
Um exercício de sinodalidade
A verificação pastoral proposta por Leão XIV não é uma ajuda isolada, mas uma aplicação prática e consequente da lógica da sinodalidade. Se o caminho sinodal nos ensina a escutar, a discernir e a decidir juntos, tornando-nos corresponsáveis na missão, a avaliação que resulta da verificação pastoral é também fruto de um exercício de sinodalidade em que, juntos, decidimos sobre o que funciona e o que deve ser abandonado. Se num primeiro momento discernimos “como fazer”, em seguida decidimos “o que fazer”.
A sinodalidade assenta na ideia de que todos os batizados caminham juntos e partilham a responsabilidade da missão da Igreja. Este mesmo princípio é aplicado no ato da verificação pastoral: a avaliação das atividades paroquiais não deve ser decisão solitária do pároco, mas sim um discernimento partilhado, com destaque para o Conselho Pastoral. Este processo, sempre sob a ação do Espírito Santo, torna-se um autêntico caminho de conversão relacional e eclesial.
Em resumo, se a sinodalidade expressa o desejado estilo eclesial de que falava o Papa Francisco, a verificação pastoral é o seu exercício de maturidade, permitindo ajustar as estruturas locais para que melhor sirvam o Evangelho.
A missão do Conselho Pastoral
Animados pelo propósito sinodal de “Formar, Reformar,Transformar”, o caminho que estamos a percorrer proporcionar-nos-á uma leitura atenta da nossa realidade. Será uma oportunidade singular para (re)definirmos caminhos evangelizadores e para ajuizarmos sobre a forma como assumimos a missão.
No âmbito paroquial, esta prática da “verificação pastoral” deve ser assumida pelo Conselho de Pastoral, órgão que já se ocupa em conhecer a realidade local e em corresponder aos desafios identificados. Percebe-se, assim, a verdadeira amplitude e oportunidade deste Conselho, cujo discernimento e verificação vão muito além de uma simples gestão de calendário ou planificação de atividades.
