O Diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil reflete sobre o projeto sinodal “Porto que procuras?” nascido de um desafio do bispo do Porto aos jovens na conclusão dos “Dias na diocese” no âmbito da JMJ Lisboa 2023.

“Ser Porto: formar, reformar, transformar” é o título do Sínodo Diocesano do Porto que se encontra numa primeira fase de encontros vicariais de formação sinodal que decorrem até ao próximo mês de dezembro. Nesse sentido, apresentamos mais uma entrevista no sentido de “fazer memória” de caminhos sinodais anteriormente percorridos.

“Porto que procuras?”, foi um projeto sinodal que nasceu de um desafio do bispo do Porto, D. Manuel Linda, aos jovens na conclusão dos “Dias na diocese” no âmbito da JMJ Lisboa 2023. Um trabalho desenvolvido pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ) do Porto, que aqui damos a conhecer no testemunho do seu diretor, o padre Jorge Nunes.

P: Como nasceu e se desenvolveu a iniciativa sinodal “Porto que procuras”?

R: Primeiramente agradecer esta oportunidade de falar um pouco sobre este “Porto que procuras”, que não é um processo, um caminho que está finalizado, ainda estamos à procura. E, por isso, constantemente somos um Porto em procura. Eu acredito que foram várias coisas que levaram o senhor D. Manuel Linda, o nosso bispo, a propor isso à equipa que organizou e preparou toda a Jornada Mundial da Juventude na Diocese do Porto. Se recuarmos muito lá para trás, percebemos que no Sínodo sobre os jovens, a fé e discernimento, a questão da escuta esteve bastante presente quer no documento de preparação, quer depois, no documento final e na Christus Vivit. E por isso isso levou-nos a criarmos o “Escutar Deus na voz dos jovens”. O senhor D. Manuel participou em alguns deles, quis também escutar os jovens do Porto, nos seus anseios, nas suas dúvidas, nos seus sonhos, nas suas dores. E penso que, depois, o realizarmos toda a preparação da Jornada Mundial da Juventude, com os Dias da Diocese, muito concretamente aqui na Diocese do Porto, levou a que o senhor D. Manuel entendesse “porque não escutarmos os jovens?” “Porque não procurarmos junto dos jovens aquilo que pode ser um entendimento da Igreja?” E foi esse processo que aconteceu e que foi um convite do bispo da diocese do Porto a essa equipa do Comité Organizador Diocesano, em que todos foram convidados a participar e que depois formámos uma equipa para fazermos este percurso. Daí o nome “Porto que procuras?”. Também surgiu dessa mesma equipa, dessa interrogação deste Porto que continuamente está à procura. O desenvolvimento do processo decorreu de uma forma muito simples. Primeiramente havia ali as dúvidas se seria um sínodo, se não seria um sínodo. Entendemos logo desde muito cedo, muito cedo, que sínodo não era para ser, até porque a palavra sínodo é uma palavra muito pesada, permita dizer assim, muito abrangente, e para fazermos isso somente com a juventude entendemos que não. Quisemos entendê-lo como um caminho de escuta. Fomos pautando. Fomos primeiramente realizando um inquérito: aquilo que os jovens gostariam de ver refletido. Como é este “Porto que procuras” na realização desta reflexão, deste caminho? Percebemos logo no imediato que havia e continua a haver, uma lacuna de, às vezes, pensarem que isto está em falta, mas na realidade isto já existe. E, por isso, um certo desconhecimento da realidade da Igreja levou-nos a que o caminho também fosse realizado, depois, a partir das interrogações, das oito perguntas que surgiram, de nós levarmos a uma preparação, de esclarecimento: “O que é que atualmente a Igreja diz acerca deste tema?”, para que houvesse depois uma reflexão. Por isso, primeiramente, houve um inquérito sobre os temas que os jovens gostariam de ver refletidos neste caminho. Depois dessas reflexões, reunindo-os em trabalhos de grupo, chegámos à conclusão destas oito questões. E depois dessas oito questões, trabalhámos quatro delas, faltam-nos trabalhar outras quatro. Agora, com o Sínodo Diocesano, vamos parar para perceber depois o caminho que vamos realizar.

P: A que conclusões chegaram com o trabalho realizado?

R: Há aqui duas conclusões que nós temos de ter muito presentes. Primeiramente, a faixa etária. Os jovens de nata, digamos assim, naquela idade mais da juventude, não têm correspondido muito. Isso levou-nos também aqui a uma pequena reflexão. Sabemos que na equipa está a Pastoral da Juventude, está a Pastoral Universitária, e está também a Pastoral da Religião Moral Católica. E por isso aí, também, quisemos fazer essa aproximação, porque a Pastoral Universitária, acima de tudo, tem esses jovens que vivem a juventude na sua flor de idade. Mas sentimos aqui algumas resistências da parte dos jovens, de se fazerem sentir. Essa é uma perceção. Depois outra perceção é que, de facto, os jovens pedem muito para serem escutados, mas depois, quando nos dispomos a escutá-los, eles não aderem muito. E por isso acho que há aqui uma necessidade de reflexão profunda, não somente na questão de sínodos, mas, provavelmente a questão da sinodalidade, isso sim, acho que faz todo o sentido. Que tipo de escutas, e aqui é no plural: que tipo de escutas é que os jovens necessitam e desejam? Porque não é somente uma escuta. São vários tipos de escuta que os jovens necessitam, e os jovens daqui terão um pensamento contrário ao outro, e, por isso, temos que fazer este trabalho de reflexão, de muita reflexão, para chegarmos aos jovens que tanto e tanto pedem para ser escutados, e que nós vamos criando elementos e formas de escutar, e que temos verificado algumas resistências.

P: A iniciativa “Porto que procuras” animou a pastoral juvenil na diocese. Acha que ficou uma semente sinodal que poderá ajudar à dinâmica do Sínodo Diocesano?

R: Penso que sim, até porque não é algo de novo. Em 2017, mais ou menos por ali, 2016 / 2017, os jovens já tinham sido escutados para o Sínodo da Igreja Universal sobre a Juventude. Com este processo do “Porto que procuras”, e diria até mesmo com o “Escutar Deus na voz dos Jovens”, isto já não é novo. E, por isso, a semente foi lançada. E quando o Sínodo Diocesano procurar junto dos jovens e de todos, para os jovens, acima de tudo, não será algo de novo. Como, por exemplo, para os outros também não será algo de novo, até porque o processo da sinodalidade foi também um processo de escuta.

RS

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