Por D. Joaquim Dionísio, coordenador geral do Sínodo Diocesano do Porto

O calendário do nosso Sínodo diocesano previa a realização de encontros vicariais de formação com vista à fase da auscultação que desejamos seja profícua, isto é que resulte de uma participação alargada e diversificada do povo de Deus. Tais encontros – 24 no total – decorrerão em toda a diocese e seguirão um mesmo esquema, apoiados num livrinho preparado e já distribuído.

A esta iniciativa descentralizada, (in)formativa e aberta a todos demos o nome de “Sintonizar o Sínodo”. E percebemos a razão. Sintonizar significa fazer um esforço por estar na mesma onda, na mesma linha: não para sentir ou pensar o mesmo, mas para compreender que a diversidade é um dom e não um obstáculo ao encontro e à unidade e que todos são necessários neste processo. Dito de outra maneira, sintonizar é ajustar a frequência do coração ao sopro do Espírito e exige o esforço de:

– entrar e permanecer no espaço da comunhão, sem pressa nem preconceitos;

– escutar e dialogar com a humildade de quem sabe que o outro também é habitado pelo Espírito e tem dons para nos comunicar;

– partilhar e receber com generosidade, permitindo que o mútuo enriquecimento;

– crescer e transformar, aceitando que o processo sinodal não nos deixará iguais.

No tempo em que era necessário subir ao telhado para fixar corretamente a antena, sob pena de não vermos o desejado, percebíamos a importância de sintonizar. Não bastava dispor dos meios, ter o manual de instruções ou sentar-se comodamente diante do televisor. A juntar a tudo isso, era preciso o esforço prévio de providenciar a necessária sintonização.

Eis, de maneira simples, a descrição do que gostaríamos de testemunhar nestes encontros vicariais: participação generalizada, proximidade fraterna, compromisso para a missão. A graça de Deus não nos abandona e os irmãos rodeiam-nos, mas de cada um de nós é esperado o esforço de sintonização. A atitude passiva de “ver o sínodo acontecer” não produzirá frutos. Como tantas vezes já ouvimos, será importante: “subir ao telhado” para vencer o comodismo, expor-se ao vento do Espírito, orientar o olhar e a escuta para a frequência do Evangelho.

Certamente que a disposição, o acolhimento, a participação ou o ritmo poderão ser diferentes entre os que formam a nossa diocese. Esta diversidade de tempos e sensibilidades é compreensível e deve ser acolhida com paciência pedagógica. O verdadeiro risco a evitar é a indiferença, esse tentador entorpecimento pastoral que sussurra: “isso não é nada comigo” ou “nada vai mudar”. Como tantas vezes já foi dito e oportunamente sublinhado na Carta Pastoral divulgada, a dinâmica sinodal não é uma consulta de opinião ou uma iniciativa burocrática, mas uma experiência de conversão pastoral destinada a manter vido, na nossa diocese, um estado permanente de missão.

Aqui se renova o convite para esta sintonização que nos ajudará a caminhar juntos, confortados pela presença do Senhor e pela graça divina que nos capacita.

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